Oxalá

O DEUS DA CRIAÇÃO

O branco – símbolo tradicional da pureza –  é a cor de tudo que esteja ligado a Oxalá, o responsável pela mitologia iorubana, pela criação e administração do mundo. Sincretizado com o Senhor do Bonfim, é o orixá mais querido e respeitado do panteão afro-brasileiro, pois rege os demais orixás e, por conseguinte, os homens. Como consequência disso, mostra-se paternal, calmo nos momentos mais difíceis: uma  dignidade distante e certa tendência a centralização também fazem parte de sua imagem típica.

Se a cor branca em geral é associada ao Candomblé, entre os orixás ela pertence mais especificamente a Oxalá. Essa apropriação do branco por parte do culto, porem não é um acontecimento aleatório. Pelo contrario há uma razão muito clara: o branco é identificado com todos os praticantes, porque todos rendem homenagens a Oxalá,  existe o costume, inclusive, de se usar roupa branca nas sextas-feiras em homenagens a eles, o deus africano mais respeitado e amado pelos filhos de qualquer orixá.

Isso acontece porque, hierarquicamente falando, o papel de Oxalá é único. Segundo a maior parte das lendas, ele é o pai de todos os orixás. Filho direto de Olorum ou Olodumarê, o deus supremo da mitologia afro-brasileira, Oxalá representaria o céu, principio de tudo que, ao tocar o mar, na representação simbólica de um ato sexual, teria criado todos os outros orixás para que cuidassem dos seres da Terra, os homens cercados pelos céus e pelo mar de todos os lados.

Há porém lendas mais elaboradas que envolvem a participação de Odudua, um orixá bastante controvertido. Em alguns trabalhos, é feminilizado para assumir o papel de companheira de Oxalá, mas esta versão, segundo Pierre Verger, não passa de uma mistificação, um produto da pesquisa malfeita. Verger, ao contrário afirma ser Odudua uma figura masculina, de caráter mais histórico do que mítico. Em seu livro Orixás, traça um interessante paralelo entre fatos coligidos a partir da historiografia africana e lendas recolhidas junto aos candomblés africanos.

De acordo com seu estudo, há uma lenda que atribui a Oxalá, o trabalho de criar o mundo, delegado por Olodumaré-Olorum, o Deus supremo. Para isso, ele foi brindado com uma sacola, fechada, onde existiam forças misteriosas que, quando libertadas, dariam a tudoo que existia um sentido absolutamente diferente.

 O DESCUIDADO MODELADOR DE HOMENS

Mas havia uma pendência antiga entre ele e Exu. Como Oxalá se recusara por diversas vezes a fazer oferendas requisitadas por Exu, este se mostrava disposto a vingança. E o conseguiu, provocando em Oxalá uma sede muito forte e logo depois surgindo em sua frente com uma bebida. Neste ponto, existem versões discordantes: Verger por exemplo, sustenta que “Oxalá para matar sua sede, não teve outro recurso  senão o de furar, com seu paxorô (cajado para fazer as cerimônias) a casca do trono de um dendezeiro”. De qualquer maneira, Oxalá bebeu o líquido – vinho de palma – terminando por adormecer bêbado.

Neste ponto, entra na história Odudua-Olofim, seu irmão e maior rival (nunca sua esposa) e rouba-lhe a sacola mágica entregue por Olorum

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